A importância da manutenção e do gerenciamento de comunidades online

Sou estudante de economia e estou para me formar em breve. Em função disso, torna-se um pouco óbvio o meu gosto e simpatia com a interpretação de números, assim como gráficos e tabelas. Gerar discussões através de números é muito interessante e isso é uma das coisas que faz a área ser tão importante, capaz de gerar grandes decisões para governos e pessoas. Para uma empresa é totalmente necessário e aceitável levar em consideração a situação do seu mercado em que atua, justamente em função dos números em que são apresentados.

Mas você, como simples mortal frequentador de redes sociais, estabelecer metas estatísticas como propósito para entrar no mundo digital é a mesma coisa que fazer aulas de jiu-jitsu para dançar ballet. Ou seja, a sua estratégia não está correta e o ambiente que você entrou menos ainda. Não tente tratar suas conexões como simples números e estatísticas nas suas redes. Não dará certo e você não conseguirá extrair nada desse ambiente. E se você ainda apostar nessas atitudes, não venha me dizer que as mídias sociais não servem para nada.

Entender que o ambiente social online é um lugar para cooperação e co-criação de conteúdo já o torna uma grande peça no contexto digital. Quem aqui, nesse universo tão gigante e enigmático da internet, nunca adicionou contatos e solicitou amizades/followers para simplesmente dizer a Deus e o mundo que você tem um grande número de contatos/amigos? Eu digo isso porque eu era assim no início. Desde os tempos do Fotolog e Orkut. Parecia que era uma competição de quem tinha mais amigos conectados. Veja que a palavra “amigos”, neste contexto, é apenas para você entender o que estou querendo dizer, até porque ninguém vira amigo da noite para o dia apenas clicando no botão “aceitar”.

E é justamente esta questão de números e “aceitar por aceitar” que vou explorar neste texto. Cada um faz o uso que quiser das redes sociais e eu não vou te dizer que o que tu faz está certo ou errado. Apenas vou lhe passar alguns pontos em que são, no mínimo, interessantes para saber se as suas intenções nas mídias sociais são colaborativas ou apenas figurativas, algo sem graça.

Martha Gabriel já dizia em seu livro Marketing na Era Digital que “redes sociais existem há pelo menos três mil anos, quando homens se sentavam ao redor de uma fogueira para conversar sobre assuntos de interesse em comum. O que mudou ao longo da história foi a abrangência e a difusão, com a inovação e os avanços das tecnologias interativas”. E completa dizendo que “as redes sociais tem a ver com ‘como usar as tecnologias’ em benefício do relacionamento social – a essência é a comunicação sendo as tecnologias apenas elementos catalisadores que facilitam as interações”.

Se o formato das redes sociais existem há milhares de anos e tem a sua formação colaborativa como elemento principal, por que ainda há pessoas que apenas utilizam desses canais online para competição de quem adiciona mais usuários?

Não é fácil mensurar e criar relatórios para extrair o que acontece nas mídias sociais a respeito de um determinado assunto. A mesma coisa vale para as marcas. Se há alguma marca que usa perfil como conta oficial no Facebook, por exemplo, pense em como seria fácil ter pessoas que “gostam” da sua marca apenas solicitando amizade para elas. Cadê a relação de sinceridade entre marca x cliente para dizer que esse contato é, de fato, verdadeiro e que ele realmente gosta daquela empresa? Isso acaba afetando o relacionamento de ambas as partes e disso você pode ler nesse artigo que escrevi para o @midia8 no mês passado. E sem falar que, para o Facebook, criar perfis para empresas é proibido e você poderá ter seu perfil bloqueado a qualquer momento e sem aviso prévio. Fique ligado.

Criar e, principalmente, manter a confiança num relacionamento entre marcas x clientes na internet é muito difícil. E o que faz essa confiança acontecer? Nas mídias sociais a coesão e a união do grupo através de pilares como simetria e reciprocidade farão esse relacionamento ir para frente. E se você apenas acredita que ter uma boa presença online é sair adicionando todo mundo e gritando para ser seguido no Twitter, então você não sabe como funcionam as interações nas redes sociais.

Você é simpático, agradável e consegue contatos para relacionamento online, mas ainda assim não consegue estabelecer uma disciplina para manter novas interações afim de criar um relacionamento de confiança. E isso é um problema complicado, pois foge do conceito de compartilhamento e troca de interesses que as redes sociais trabalham. Mas como eu disse anteriormente, alguns pontos importantes são interessantes conhecer para não deixar esse relacionamento ficar sem confiança e pobre de conteúdo.

E quais seriam esses pontos?

Eu sou um que não gosto de diferenciar o mundo off-line com o mundo online. O que eu faço na internet é basicamente o meu reflexo da vida real. Desde os gostos e até o jeito de falar/escrever sigo sempre a mesma linha. Sempre procuro promover caridades durante o meu dia, pois sei que gentilezas são sempre bem-vindas e são feitas para agilizar no seu processo de criar relacionamentos.

Uma doação, por exemplo, sempre que bem feita, poderá consolidar laços que foram construídos e deixam a relação bem mais fortalecida. Seja uma informação, uma sugestão, um presente ou alguma coisa que você prometeu ou até mesmo uma simples lembrança daquela pessoa. A legitimidade e o gesto da doação numa comunidade online fará com que o seu relacionamento seja otimizado e suas conexões lhe tragam mais respeito.

Outro ponto importante é saber lidar com a manutenção daquela rede social. Uma vez que você mantem o relacionamento com uma política de disponibilidade para aquele grupo, todo o relacionamento envolvido com aquela comunidade será bem mais qualificado. É a tal da reciprocidade sempre que algum membro precisar de alguma coisa. Uma resposta positiva, através de uma doação, poderá ser usada quando alguma pessoa nova precisar de uma assistência. Quando a disponibilidade é bem controlada e o poder de resposta é positivo, a assistência se torna um poder para a mediação e com isso é criado mais respeito pela sua imagem na rede.

Encaminhe a resposta, se for o caso, mas sempre tente se manter disponível, pois essas ações, com certeza, irão refletir no próprio grupo.

Como não poderia ser diferente, o trabalho de manutenção da disponibilidade com assistências através de doações no grupo poderá exigir uma grande concentração de conteúdos. E se você não tiver uma disciplina para ter um alcance sobre todos os conteúdos (assuntos, modo de agir, personalidades) dos envolvidos, a mensagem poderá ficar no vácuo e sua atenção também. Saber tratar esses relacionamentos com novas interações é importantíssimo na manutenção dos princípios da comunidade.

Portanto, por mais que as redes sociais que conhecemos hoje foram expandidas pelas novas tecnologias, o fato de você se reunir com um grupo através de trocas de interações movidas por um determinado interesse, não justifica você só acumular números e não aproveitá-los. Além do mais, as redes sociais são formações bem mais antigas do que imaginávamos e desde tempos mais primórdios, todos buscam seus respectivos interesses nas relações. E na internet não é diferente.

É muito legal fazer parte tudo isso, porém ser apenas mais um número vazio e, pior, tratar os seus contatos como mais um perfil adicionado na sua contabilidade social, é jogar fora todo o poder que as mídias sociais podem lhe mostrar. E claro, não estou dizendo que para cada usuário adicionado deverá ocorrer uma interação. O que deve ser feito é a otimização desses canais online para que nenhuma conexão seja algo contábil, mas sim algo mais humano e de reciprocidade garantida.

Acredito que com esses pontos apresentados você possa especificar melhor a sua participação nas redes sociais e tratar o relacionamento com as suas conexões como um propósito central da sua vida digital. E deixe os números para os economistas.

Por Rodrigo Oneda Pacheco, estudante de economia e entusiasta da social media. @rodrigooneda

Fonte: Midia8


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