Curtindo a preços altos: nossa análise sobre a monetização do Facebook

Curtindo a preços altos: nossa análise sobre a monetização do Facebook

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Crescimento orgânico” da rede é apontado como uma das justificativas para a redução do alcance de postagens de páginas. A solução? Pagar para ser visto

Nos últimos meses, administradores de páginas com grande volume de fãs no Facebook notaram uma queda expressiva no alcance de suas postagens. Para os não iniciados nos termos da rede social, o alcance define a quantidade de pessoas dentro da sua base de fãs que receberão um determinado post.

Caminhando em paralelo a essa redução, um refinamento do algoritmo para o Feed de Notícias tratou de “esconder” mais postagens. A justificativa é filtrar a imensidão de links, fotos e vídeos compartilhados pelas páginas que você segue e também por seus amigos. Esse método faz com que um usuário não receba duas mil mensagens em um dia, mas sim uma quantidade possível de ser consumida com base nos critérios definidos pela rede para medir o interesse da pessoa.

O problema surge quando o Facebook, com receita de 2,02 bilhões de dólaresanunciada em outubro deste ano, cobra de empresas e usuários para que uma postagem ou página seja alavancada e alcance mais pessoas. Mas todos têm de pagar as contas, certo? Afinal, como bancar os gastos de milhões só com servidores? No dia 05 de dezembro, o AdAge publicou que o Facebook reconhece a queda e enviou e-mails aos clientes incentivando a contratação de anúncios. A medida seria a única solução para conter as quedas das postagens.

A notícia foi recebida com muitas ressalvas e gerou uma onda de indignação entre produtores de conteúdo. A apresentadora e blogueira Julia Petit foi uma das que se manifestaram sobre a questão. “Mas pera lá! A gente curte marcas e veículos e não tem acesso ao conteúdo deles porque o FB não quer mais?”, afirmou em post. Ela contou que seu blog, o Petiscos, também recebeu a notificação sobre queda de visualizações e a aparente “solução”.

Outro problema, relacionado a marcas e pequenos produtores de informação, é o anseio de Mark Zuckerberg em transformar o Facebook em um grande veículo de informação. A rede refez seu algoritmo para privilegiar produtores de conteúdo, ou seja, jornais, grandes conglomerados e parceiros de mídia.

Em conversa com o Meio & Mensagem, o Facebook informa que a queda no alcance das páginas se deve ao crescimento orgânico da rede. Com o aumento significativo de usuários e da quantidade de posts, o gargalo ficaria em tese mais disputado.

A discussão é sensível. Pode lembrar para alguns os insucessos de Orkut e MySpace. Mas o que de fato definirá se a época de migrar para uma nova rede chegou será a opinião dos usuários. Se as pessoas se incomodarem por não encontrar as atualizações de suas páginas favoritas e estas migrarem, por exemplo, para o Google Plus, os ventos podem de fato mudar de direção.

Por outro lado, o Facebook tem uma vida financeira de fazer inveja aos concorrentes e uma audiência avassaladora. Há também um ecossistema maduro de desenvolvimento e um relacionamento com anunciantes que ainda engatinha, mas já apresenta sinais de melhora. O problema é o relacionamento com os pequenos investidores, que são muito bem tratados no concorrente, mas deixados como terceira opção pelo Facebook.

O que será daqui para frente, o usuário dirá, pois o dinheiro (anúncios) busca pessoas.